sábado, 7 de julho de 2007

Em Paraty, Prêmio Nobel alerta sobre a Aids

Festa Literária Internacional de Paraty

Grande dama da literatura, a Prêmio Nobel Nadine Gordimer, 84 anos, disse nesta sexta (6) em Paraty, que se não fosse uma escritora de língua inglesa sua obra teria perecido com a perseguição política que sofreu em seu país, a África do Sul, no período do Apartheid.

“Três livros meus foram banidos. Fui calada em casa, mas tive a sorte de escrever em uma língua universal e ser publicada em outros lugares”, relatou. Hoje, destacou a escritora, não há mais censura em seu país, mas a África do Sul ainda tem as cicatrizes do sistema de segregação racial e sofre, como todo o continente africano, com a epidemia de Aids.

“Toda a ênfase que se dê a esse assunto é insuficiente para mostrar a gravidade do que ocorre”, declarou a escritora. Segundo ela, faltam professores no sistema educacional, porque a Aids vitimou grande número deles, bem como jovens estudantes. “Há uma melhoria dos programas educativos e mais remédios à disposição dos doentes, mas o governo está agindo muito lentamente”, afirmou Nadine que, depois de anos como militante contra o Apartheid, atua hoje em defesa das crianças com Aids e também das causas ambientais. Ela defendeu que o mundo se una em defesa do meio ambiente e criticou a política americana.

Estrela da festa, ela se disse maravilhada com Paraty. “Não sei como é viver aqui, mas para
quem vem de fora, é um paraíso na terra”, afirmou. “E para alguém como eu, que não acredita
em vida depois da morte, é o melhor que eu posso ter”, completou.
*G1

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